Dreams don’t turn to dust!

Esse é o nome de uma música que eu tenho escutado muito recentemente: Dreams don’t turn to dust, ou em bom português, sonhos não se transformam em pó. Ela me lembrou de um trecho de uma música do Clube da esquina: “Porque se chamavam homens, Também se chamavam sonhos, E sonhos não envelhecem”. E essas frases tem ecoado na minha cabeça recentemente.

Desde que voltei do intercâmbio a minha vontade de viver de novo o “sonho” é enorme. Pode parecer egoísmo da minha parte querer voltar pra Londres e deixar todo mundo pra trás de novo. Só quem viveu a mesma experiência tem ideia do que se passa na nossa cabeça agora que voltamos. Eu queria poder voltar, e levar todo mundo comigo! Mas ainda não é uma opção. Ainda! Por isso a música me causou tanto impacto!

O meu sonho é poder voltar, mas agora eu tenho compromissos a cumprir e tarefas pra finalizar por aqui. Mas isso não me impede que continuar sonhando, porque sonhos não envelhecem ou desaparecem. Se você tem um sonho não desista dele porque neste momento ele parece impossível. Nada é impossível, basta você lutar e se dedicar que a sua chance chega! Chegou pra mim e vai chegar pra você, quantas vezes você se dispuser a correr atrás das oportunidades certas! Ninguém é pessoa de um sonho só. Nós temos sonhos que ainda nem descobrimos, sonhos gigantescos e sonhos diários. Comece realizando pequenas ideias e com isso você vai ganhar confiança em si mesmo pra lutar por coisas maiores! A alegria de um sonho realizado te dá motivação pra correr atrás de outros. Quando algo não dá certo de início, não desista! Algumas coisas demandam tempo, dedicação e planejamento para darem certo. Se você falhar não fique triste, muitas vezes não é culpa sua! Tudo na nossa vida acontece com um propósito e acontece na melhor hora! Talvez não na hora que você julgue melhor, mas a hora que Deus sabe que você mais precisa.

Então se as coisas parecem inantingíveis e confusas agora, guarde seus sonhos num potinho. Abra-o daqui uns dias, um mês, quem sabe um ano. Deixe a vida te guiar para o caminho certo e quando a oportunidade aparecer agarre-a com todas as forças! Dê o seu melhor pra você mesmo e tudo vai se encaixar. Você pode até achar que esqueceu de um sonho, mas ele nunca se esquece de você 🙂

So I’ll drag the anchor up (Então eu vou puxar a âncora para cima)
And rest assured, ‘cause dreams don’t turn to dust (E descansar tranquila, porque sonhos não se transformam em pó)

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Como o meu intercâmbio mudou as nossas vidas

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Quando eu peguei meu voo para Londres eu não tinha noção do quanto o intercâmbio mudaria a minha vida. Muito menos noção do quanto ele mudaria a vida da minha família e dos meus amigos que ficaram aqui. Esse tempo afastado trouxe mudanças que só agora, de volta ao Brasil, eu consigo perceber.

Tive o prazer de participar de um encontro de Mães sem fronteiras alguns dias atrás e pude ouvir relatos daquelas que ficaram, sofreram, choraram, aprenderam a lidar com a falta dos filhos, amadureceram, cresceram, criaram laços de amizade e venceram! Como nós estudantes, cada uma tem a sua história, mas todas estão ligadas pelo mesmo sentimento de amor pelos filhos. Eu ganhei várias mães e com isso vários exemplos de vida. Ouvir tudo pelo que elas passaram e presenciar as mulheres que se tornaram foi uma experiência muito gratificante. Mas vou voltar a história pro meu caso!

Pra mim tudo começou com a coragem de deixar a família pra trás, que eu nunca imaginei que tivesse, a responsabilidade de cuidar de todos os preparativos, para que nada desse errado, a confiança e cabeça erguida para encarar o desconhecido. Precisei deixar a timidez pra trás e colocar pra fora uma Mariana mais extrovertida. Precisei desembolar de vez o meu inglês e várias outras coisas. Isso pra mim agora não parece um feito tão grande perto do que a minha família passou.

Meus pais tiveram que lidar com a falta da filha mais velha, que ajudava com as coisas da casa, que completava a mesa na hora do almoço, que segurava a mão na hora da prece e que sempre brincava na cama antes de dormir. Meu irmão não tinha mais a pessoa pra conversar quando ele não queria mais estudar, ou pra ir andar de skate num final de semana. Meus amigos não tinham mais os meus “Bom dia!” alegres na segunda às 8 da manhã, ou a companhia dos estudos e lanche da tarde com Fandangos e Coca-Cola. Todos que ficaram tiveram que contornar a minha falta de alguma maneira. Meu pai virou um pesquisador fanático de lugares bacanas do mundo para se visitar. Meu irmão virou um expert em vídeos de youtube e arrumou uma namorada. Minha mãe fez muitas amigas e agora viaja Brasil a fora pra visitá-las. Alguns dos meus amigos se formaram, outros ainda estão na luta. Uns se afastaram, uns simplesmente sumiram, outros foram pros seus próprios intercâmbios. Alguns se transformaram, outros parecem que preferiram parar no tempo. Mas os melhores ainda estão comigo, mesmo não nos vendo sempre. A grande maioria das pessoas talvez não perceba o quanto mudaram, o quanto cresceram nesse período de um ano. Algumas coisas mudaram por conta do meu intercâmbio, outras não, mas todas elas são bem visíveis pra mim agora, porque a minha visão de vocês se ampliou!

Agora eu tenho um pouco de ideia do efeito que as minhas decisões tem na vida das pessoas à minha volta. Agora eu vejo como a maneira que eu vivo a minha vida se reflete na maneira que as pessoas que eu gosto se relacionam comigo. As minhas decisões não são só minhas, as minhas atitudes não tem consequências apenas pra mim. A minha vida a partir de agora se concentra no que é melhor pra mim e pros que estão a minha volta. Chegou a hora de deixar o egoísmo de lado e saber dividir os acontecimentos com quem sempre me deu suporte. É hora de nós, que fomos embora, compensarmos a falta que fizemos e mostrar aos que ficaram tudo de bom e proveitoso que essa experiência trouxe pras nossas vidas!

Eu, definitivamente, não sou a mesma pessoa que embarcou num avião para Londres há um ano atrás, nem vocês são os mesmos! As coisas estão melhores, é só reparar um pouquinho! Nossas cabeças tem novas ideias, novos ideais, novos sonhos e muito mais coragem e força!

Obrigada por fazer parte dessas mudanças e bem vindo ao nosso futuro!

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Como foi morar sozinha por um ano

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Antes de tudo algumas explicações. Eu morei com outras quatro pessoas, num apartamento onde cada um tinha seu próprio quarto + banheiro e nós dividíamos a cozinha. As despesas com aluguel do apartamento eram pagas pelo programa Ciência sem Fronteiras, assim como o meu “salário”. Ou seja, sair da casa dos meus pais foi muito mais fácil do que em qualquer outra situação.

Pra sair de casa é bom que você tenha alguma reserva de dinheiro que te garanta a sobrevivência para os primeiros meses. É fundamental que você arrume uma fonte de renda que te sustente e que te torne independente financeiramente dos seus pais. É uma coisa complicada e que exige um tanto de preparo para que dê certo!

Eu não gastei dinheiro nenhum além da bolsa que recebi do governo, então eu considero esta como a minha fonte de renda. Eu não precisei trabalhar, mas tinha o compromisso com a faculdade, afinal o que todo mundo espera é que a gente volte com intenção de mudar o mundo! O meu pagamento era feito a cada 3 meses e por isso eu precisei aprender a gastar conscientemente. Nos primeiros meses eu tentei viver do mais básico, sem muitos supérfluos mas sem deixar de aproveitar a oportunidade. Comparava preços antes de comprar e anotava cada centavo gasto. Ao final do terceiro mês eu fechei o balanço e vi o que eu gastava normalmente com alimentação, transporte e outros básicos. Com isso eu pude estabelecer o quanto reservar do dinheiro que eu recebia para cada tipo de coisa. Daí o que sobrasse eu poderia usar da maneira que mais me interessasse. A grande maioria do dinheiro que sobrava era investida em viagens! Claro que eu também comprei muitas roupas, até por necessidade mesmo (pra aquecer no inverno!) e muitas outras coisas que me interessaram pelo caminho. Quando você se programa e se conscientiza dos seus gastos as coisas se tornam mais tranquilas e você pode abrir exceções. Quem me conhece sabe que eu sempre quis uma câmera fotográfica bacana, e depois de economizar um pouquinho todo mês eu finalmente consegui uma pra chamar de minha 😀

Outro problema que a pessoa enfrenta quando vai morar sozinha é o fato de estar realmente sozinha! Não tem mais mamãe para fazer almoço, lavar e passar as roupas e comprar comida. Não tem nem mais aquele irmão pentelho te perturbando o dia todo! Tudo se volta somente para você! Eu aprendi a cozinhar na marra, tive que me virar pra não passar fome ou gastar todo meu dinheiro comendo fora o tempo todo. Tinha que me organizar com as tarefas de casa: lavar a louça suja depois das refeições, lavar roupas regularmente (e não só quando não tinha mais roupa limpa pra vestir!), arrumar o quarto, passar aspirador, lavar banheiro, etc. No início é complicado, mas com o tempo a gente vai pegando o jeito pra fazer tudo.

Quando eu viajei eu senti muito medo de ficar longe da família, de não fazer amigos, de não conseguir me adaptar à outra cultura. No começo foi difícil, algumas noites pareciam nunca acabar. Eu tinha vontade de levantar e ir abraçar meus pais, mas eles não estavam lá. Sentia falta dos almoços e jantares, nós quatro juntos. Sentia falta do almoço de domingo em família, dos churrascos de pão de alho e linguiça num dia qualquer. Mas o Skype nos aproximava e eu podia dividir com a família tudo o que eu estava vivendo. Os amigos estavam sempre lá, pro que quer que fosse, a hora que fosse. Perdi a conta de quantas vezes pedimos pizza e ficamos jogando conversa fora até tarde, e também das muitas vezes que eu pedi um ombro amigo e eles estavam ali. Quando eu me sentia triste eu pegava um trem e ia para qualquer lugar, andava pelas ruas, sentava num parque e aos poucos a saudade ia amenizando. Experiências novas fizeram com que eu me adaptasse cada vez mais à essa vida “sozinha”.

Só posso dizer que morar sozinha me fez crescer. Hoje me sinto muito mais madura, muito mais preparada pra vida e tudo o que ela tem preparado pra mim. Virei adulta, que resolve problemas, que encara o dia de cabeça erguida, que está preparada para um desafio, um trabalho e pra lidar com todos os tipos de pessoas. Hoje moro com meus pais, mas tenho confiança de que vou saber me virar quando chegar a hora morar sozinha novamente! 😀

Gostaram? Comentem!

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